terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reivindicações Burocráticas

Chego ao centro de reivindicações e procura pela minha Liberdade
Triste fico, quando à porta dizem:
"Desculpe estamos fechados, volte mais tarde."

Enquanto bato no vidro pergunto:
"A que horas posso eu vir?"
Com uma voz nasalada a resposta
que oiço é: "Tente até conseguir."

Durante 3 dias todos os dias lá fui
e a resposta não variou:
"Tente até conseguir."

Ao quarto dia consegui que a porta me abrissem
e simpaticamente que me permitissem
uma senha no meu bolso estar.

Olhei para a placa que dizia em que número ia
e olhei para o número que possuía.
Muitos à minha frente estavam com reivindicações
para dizer.
Mas eu ali sozinho já estava com vontade de desaparecer.

A meio da tarde fui chamado
e enraivecido ao balcão cheguei:
"MAS É PRECISO TANTA MERDA PARA A MINHA REIVINDICAÇÃO EXPRESSAR?"
Uma resposta sem um olhar nos olhos ouvi:
"Reivindicações não são aqui, dirija-se ao segundo andar."

Saio da frente daquela mulher que a paciência me roubou,
vou em direcção ao elevador que Deus quis que parasse.
Viro-me para o tecto e grito: "Ainda bem que me ajudou!"
Vejo escrito ao meu lado: «Se quer ser atendido é melhor que se despache»

Corro pelas escadas como se não houvesse amanhã.
Chego ao terceiro andar deste maldito piso
E mais uma senha tiro enquanto sentado espero pela minha vez.

Espero, espero, espero
O som dos relógios de cada ser humano ali presente
parecem tique-taques de bombas prestes a explodir.
Bombas como o meu controlo prestes a rebentar
A raiva não controlada com vontade de matar.

De repente oiço um clique, olho para cima, era o meu número quase a chegar.
Só tinha de esperar por mais uma alma,
E iria reivindicar.

Penso nos meus argumentos, e nas palavras que ia dizer.
Não posso perder a razão, senão vou-me foder.

Outro clique e a minha vez tinha chegado,
chego aquela mesa de braço esticado
grito com a mulher por me ter feito esperar,
irrita-me profundamente gente neste estado.

Quando ela assim me viu, rapidamente me informou:
"Olhe desculpe, se quer gritar, o piso você errou."

Rapidamente respondi, "mas eu quero só reivindicar! Por favor não me faça esperar!"
"Á então você veio aqui para reivindicar, qual é o tema? Talvez eu o possa ajudar."
"Quero a minha Liberdade e manifestar a revolta contra o Sistema 'tou farto de ser manipulado como um actor de cinema!"

"Então o senhor reclama Liberdade.
Gostava de ajudar mas essa não é a minha especialidade.
Talvez se subir até ao piso a seguir,
uma resposta boa possa encontrar.
Já agora se encontrar alguma empregada peça para donuts me mandar."

Rapidamente fugi daquela sala com a cabeça a rebentar
Foda-se será possível, ser tão difícil reivindicar?

No piso seguinte encontro mais uma fila e perco a esperança.
Todos esperam um momento para falar com a senhora Indiferença.

Mais tique-taques e mais relógios me perseguem.
A burocracia da sociedade actual asfixia-me.
Fico preso na fila à espera de dar a minha opinião,
de dizer ao mundo, achas que gosto de ti? Pensando bem, acho que não!

A fila diminui a minha proximidade com a sra. Indiferença é quase nula,
será que é desta que alguma funcionária me atura?

Sem mais pisos para subir eu sei que ela embora não me vai mandar
mas será que as minhas opiniões ela vai querer escutar?

Chego ao pé dela e interiormente grito um aleluia.
Com um olhar e uma voz doce ele me pergunta:
"E ao senhor o que é que o perturba?"

"Perturba-me a economia e a crise Mundial!
A febre do futebol e da selecção Nacional!
A dependência do petróleo e do gás natural!
A vida vivida em rotina duma forma banal!
Todos os dias ser manipulado pelo jornal Nacional!
Ser tratado diariamente como um mero animal!

Querer saber os meus direitos e saber que não os sei!
Querer ser livre e dizer:
Obama, não és um Rei!
Quero aceitar todos os homens do mais macho ao mais gay!
Só quero ser livre mas o que é a Liberdade também não sei!
Não sei porque me roubaram
e levaram-ma à nascença.
Quando é que posso ser quem quero e isso não causar Indiferença?"

"O seu discurso grande é e parece um revoltado,
se algum político o ouvisse, você seria um achado!
Mas sobre tudo o que você disse até à Indiferença.
Tenho um conselho a dar-lhe:
Tenha paciência."

"Paciência porque? Não posso reivindicar?"

"Paciência meu amigo, porque... volte amanhã pois agora - vamos fechar."

HH - O homem que só a sua opinião quer dizer, tem de ter muita paciência para algum dia o fazer.

domingo, 6 de setembro de 2009

Falta de Gritos

Falta-me gritar!
Falta-me Berrar!
É preciso desanuviar
É preciso vomitar!

Ninguém grita ao meu ouvido
Ninguém me fura o tímpano
Ninguém goza com as minhas fragilidades
Ninguém se preocupa com as banalidades

Ficam nas rotinas
Aceitam-nas sem dizer não
Todos os dias durante horas se juntam
Para juntos carregarem no botão

Mudam de canal
Riem das estupidezes de idiotas!
São comidos por eles
Ficam com as mentes rotas
Perdem o que possuíam de Humano

Aquela capacidade maravilhosa de pensar o Mundo
Crítica-lo e melhora-lo
De que serve termos uma mente tão boa se não a usarmos?
De que serve ter um Mundo tão bom e não usar?

Será que na vida só há botões para clicar?

'Tou farto de tentar ver isto e sobre isto falar
Mas poucos se juntam para comigo gritar

QUE SE FODA A TELEVISÃO! E AS IDEIAS QUE ELES NOS IMPINGEM!
QUE SE FODAM ESSES CABRÕES QUE NOS LAVAM A CABEÇA E NÓS NÃO FAZEMOS NADA!
QUE SE FODA TODOS OS QUE NOS QUEREM TORNAR MAIS IGNORANTES!

E se tu estás a ler isto e dentro da tua cabeça se ouve:
"Eu já tinha pensado nisto e de facto tens uma certa razão
Mas é tão fácil clicar no botão...
Porquê não ver as coisas? E me tentar informar?"

Porque o que eles querem não é informar-te!
É torturar-te!

Preocupar-te com o que não interessa tapando com o que eles querem que oiças!
A culpa é deste sistema dominado pelos Hipócritas!

Gritem, Berrem e destruam tímpanos!
Só assim alguém nos irá ouvir!

Se passarmos por estúpidos,
seremos os estúpidos com os olhos mais bem abertos de sempre!

HH - Ás vezes é preciso ser punk para gritar contra a caixinha mágica, que não passa duma caixinha Nazi.